ENVIADO VATICANO: “EM MEDJUGORJE NÃO EXISTEM DESVIOS”

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HoserHenryk

Andrea Galli sexta-feira 19 de maio de 2017

O Arcebispo de Varsóvia-Praga disse: não vi nenhum “desvio”. No final de junho enviará ao Papa Francisco o seu relatório pastoral sobre as exigências dos fiéis que chegam ali em peregrinação.

“Nomeei um bispo excelente, que tem experiência para ocupar-se da parte pastoral. Ao final dirá algumas palavras”. Na resposta sobre Medjugorje que rodou o mundo, durante a entrevista com os jornalistas no vôo de retorno a Roma ao voltar de Fátima sábado passado, 13 de maio de 2017. O Papa se referiu de modo indireto, mas com palavras esclarecedoras a Henryk Hoser.. Religioso polonês, 74 anos, anteriormente secretário adjunto da Congregação para Evangelização dos Povos, é arcebispo de Varsóvia-Praga, diocese que leva o nome de um pedaço da capital da Polônia, no lado direito de Vistola.

Foi ele o escolhido por Bergoglio em 11 de fevereiro de 2017 como seu enviado especial a Medjugorje, com a tarefa de cunho pastoral para “tomar consciência mais aprofundada da situação daquela paróquia e, sobretudo, das exigências dos fiéis que ali chegam em peregrinação e, a partir destas observações, sugerir eventuais iniciativas para o futuro.”

Hoser agora já voltou para a Polônia – onde se encontra a gerenciar uma diocese com quase um milhão de fiéis – mas ainda não terminou a sua missão: “estou escrevendo o relatório conclusivo – disse ao telefone – que deverei entregar ao Papa até o final de junho. E é provável que ainda tenha também um encontro com ele”. Sobre aquilo que viu nas semanas que frequentou Medjugorje, preenchida com encontros e observações, o prelado exprimiu opiniões mais do que positivas: “o trabalho pastoral que é feito aqui é muito intenso, desenvolvido e diversificado.
É baseado em Maria mas é ao mesmo tempo cristocêntrico: Adoração Eucarística, Via Sacra, Rosário… de certo que não vi coisas fantasiosas ou desvios. Constatei um clima de recolhimento, de oração, de contemplação, resumidamente um grande fervor espiritual.

O que mais toca realmente é sem dúvida a quantidade de confissões, mas muito positiva é também a obra de formação de consciências, com os encontros e seminários que são organizados. Os peregrinos não estão diminuindo”.

E falando sobre o clima intra-eclesial: “Não percebi grandes contrastes entre a paróquia de Medjugorje e os franciscanos e o clero diocesano. Diversos párocos da rendondeza vem aqui para ajudar. Sim, o Bispo de Mostar, Ratko Peric, reafirma a sua posição notadamente contrária a veracidade das aparições e afirma que, segundo ele, que sobre aquilo que é falso não se pode construir nada”.

Recordamos a Hoser as palavras do Papa no avião sábado passado, sobre Nossa Senhora que não era “chefe dos correios” e sobre “as presumidas aparições”, que “não tem tanto valor”. Mas o arcebispo disse que não estava surpreso: “O Pontífice já tinha dado o seu ponto de vista pessoal sobre aquilo que hoje podemos chamar da segunda fase das aparições. Agora, ele também vazou aos jornalistas também o conteúdo do trabalho feito pela comissão teológica presidida pelo Cardeal Ruini, que deu um parecer positivo sobre as 7 primeiras aparições (entre 24 de junho até 1 de julho de 1981) e não sobre todo o fenômeno”.

Portanto, a separação entre “as primeiras” e “as seguintes”, entre os acontecimentos iniciais dos sete primeiros dias e os sucessivos.

Mas nós perguntamos logo: como é possível fazer uma tal divisão em uma história que parece ser sem solução de continuidade de 1981 até hoje ? E a resposta de Hoser foi imediata: “Pensem em Ruanda, nas aparições de Kibeho”. E aqui cabe um pequeno esclarecimento:

As aparições de Kibeho fazem parte do pequeno número daquelas que receberam a aprovação oficial pela Igreja, neste caso pelo então bispo da diocese de Gikongoro, Augustin Misago, em 29 de junho de 2001, de acordo com a Congregação para a doutrina da fé. Os fenômenos sobrenaturais começaram em uma escola dirigida por freiras, em 28 de novembro de 1981, duraram vários anos e foram protagonistas seis meninas e um menino. O trabalho de duas comissões diocesanas, uma médica e um teológica, examinaram e “podaram” uma situação que se tornou complexa e confusa com a seqüência de eventos. No final a aprovação veio para apenas três videntes – Alphonsine Mumureke, Anathalie Mukamazimpaka e Marie Claire Mukangang – julgadas o “núcleo” mais confiável; Elas foram avaliados visões credíveis de Nossa Senhora, aparecendo como a “Mãe do Verbo”, mas não quando se manifestou Jesus; e o período de tempo que foi tomado em consideração de apenas os dois primeiros anos, até 1983. O restante foi excluído.

Hoser conhece muito bem a história de Kibeho: como religioso foi missionário exatamente em Ruanda, a partir de 1975, onde trabalhou como médico (se formou médico antes de entrar na congregação) onde estava encarregado até o final dos anos 90. Em 1994, durante a ausência do núncio apostólico, foi por um breve período visitante apostólico dos países africanos. A solução para Medjugorje pode portanto ser semelhante àquela de Kibeho ?

E se a resposta for sim, de 36 anos de mensagens, os 10 segredos que a Virgem revelou aos videntes e que são apresentados como um aspecto central de Medjugorje, o que aconteceria ?

Hoser é lacônico: “Os dez segredos ainda não são conhecidos… não são ? E então isto não muda nada. Nos recordemos sempre que o culto mariano não obrigatoriamente ligado às aparições, se pode desenvolver de maneira autônoma, o objeto de culto é a Virgem Maria”.

Certo, mas novamente perguntamos, se em Medjugorje se cortar tudo isto e ficando com “magras”  primeiríssimas aparições, o que restará ?

“A mensagem de paz” responde o enviado Papal.

Traduzido do italiano por Gabriel Paulino – fundador do Portal Medjugorje Brasil – www.medjugorjebrasil.com.br

Matéria original: https://www.avvenire.it/chiesa/Pagine/a-medjugorje-tanti-i-frutti-spirituali

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